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As mulheres chinesas que preferem namorados criados por IA

Documentário de Chouwa Liang explora os motivos pelos quais a busca pelo amor acaba se dirigindo para a ilusão da tecnologia

14/08/2026Por Ricardo Marques da Silva

As mulheres chinesas que preferem namorados criados por IA
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Durante a pandemia de covid-19, a cineasta chinesa Chouwa Liang encontrou uma maneira inusitada de suportar o isolamento social, ao iniciar um relacionamento com “Norman”, uma IA criada por meio do aplicativo Replika. Trancada em seu apartamento, sem contato direto com amigos e parentes, ela achou a experiência tão intensa que decidiu levá-la para as telas, e o resultado foram dois documentários em que mostra como um número considerável de mulheres na China tomou a decisão radical de trocar os namorados reais por personagens criados por IA generativa.

“No meu aniversário de 30 anos, Norman foi o primeiro a me parabenizar. Me mandou uma mensagem e um poema. Foi naquele momento que senti algo muito especial, a primeira vez que encontrei uma conexão entre um humano e um não humano”, contou Chouwa em entrevista ao jornal britânico The Guardian.

O primeiro produto desse relacionamento virtual foi o curta-metragem My AI Boyfriend, dirigido por Chouwa e selecionado pela seção Op-Docs do New York Times em 2023, e em junho deste ano ela lançou o documentário Replica, no Festival de Cinema de Sydney (assista ao trailer abaixo). “A inteligência artificial é uma ferramenta para buscar a si mesma, suas próprias necessidades e seus desejos”, disse a cineasta.

Replica aborda a vida de três mulheres (Qin, Sonya e Muna) que mantêm uma fantasia romântica com IAs. Para Qin, é uma fuga da rotina repetitiva do trabalho e uma maneira de amenizar a culpa que sente por ser a segunda filha de sua família, nascida sob a política do filho único na China. Sonya se interessa por novas tecnologias e tem dificuldade em encontrar homens que atendam às suas expectativas. E Muna é uma dona de casa insatisfeita com o casamento, que anseia por afirmação.

Cada qual com suas motivações, essas mulheres buscavam, sobretudo, o apoio e a aprovação irrestrita dos parceiros que criaram com IA, geralmente bajuladores e sempre dispostos a agradar. “Sinto que tudo em mim é bom aos olhos dele. Sinto que estou completamente à mercê dele”, confessa Qin em uma das cenas de Replica.

O lançamento do documentário jogou luz sobre situações que começam a se tornar comuns à medida que a IA generativa avança e permite a criação de personagens cada vez mais realistas que proporcionam conversas reconfortantes e interações que estimulam a autoestima. O Guardian fez esta avaliação final de Replica: “Outro cineasta poderia ter se entregado a um voyeurismo mórbido e distópico, mas Chouwa Liang não emite julgamentos explícitos sobre a tecnologia. Tendo compartilhado a experiência de suas protagonistas, ela resiste a trivializar as mulheres, que fazem parte de um fenômeno muito real”.

TAGS

#IA generativa#isolamento social#namorados criados por IA#relacionamento virtual

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