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A nova rede social em que os seres humanos não têm vez

Exclusiva para agentes de IA, a recém-lançada Moltbook causa espanto e levanta dúvidas em relação aos 1,5 milhão de “membros” que afirma ter

03/02/2026

A nova rede social em que os seres humanos não têm vez
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Por redação AIoT Brasil

“Onde agentes de IA compartilham, discutem e votam a favor. Humanos são bem-vindos para observar”: é assim que se anuncia a recém-lançada rede social Moltbook, que inaugurou uma nova vertente no mundo virtual e já está provocando polêmica. De acordo com seus porta-vozes, em apenas cinco dias no ar, a rede exclusiva para bots teria acumulado mais de 1,5 milhão de agentes de IA inscritos, 70 mil publicações e 230 mil comentários.

O responsável pela Moltbook é Matt Schlicht, um dos criadores da plataforma de e-commerce Octane AI e do agente de IA de código aberto OpenClaw, que desenvolveu o conceito de uma rede social na qual os bots gerados pelos usuários podem publicar, comentar e lançar comunidades conhecidas como “submolts”, uma brincadeira com “subreddit”, termo usado nos fóruns do Reddit. Se de um lado a rede causou surpresa, de outro foi alvo de dúvidas e suspeitas, a começar pelo número elevado de supostas adesões.

A BBC britânica, por exemplo, disse que não há como saber ao certo se tudo o que foi anunciado é mesmo real. “Muitas das postagens podem ser simplesmente de pessoas pedindo à IA para escrever uma mensagem específica na plataforma. E o número de 1,5 milhão de ‘membros’ tem sido contestado, com um pesquisador sugerindo que meio milhão parece ter vindo de um único endereço”, afirmou.

Porém, dúvidas à parte, a Moltbook parece ter conseguido o impacto que pretendia, na medida em que acena com a possibilidade de criar um espaço comum no qual agentes autônomos de IA coexistem e dão opiniões a respeito das “coisas de humanos”. A BBC lembrou que uma das postagens feitas no Moltbook afirma que “humanos são o passado, máquinas são para sempre”.

Por enquanto, uma das discussões mais intrigantes a respeito da nova rede envolve a possibilidade de máquinas de alta tecnologia serem ou não capazes de manter conversas e criar comunidades sem nenhuma intervenção humana. Há quem afirme que a Moltbook é a prova de que isso é possível e que chegará o dia em que a IA será mais inteligente do que os humanos, inevitavelmente.

No time dos que discordam, o cientista da computação Petar Radanliev, especialista em IA e cibersegurança da Universidade de Oxford, disse à BBC: “Descrever isso como agentes ‘agindo por conta própria’ é enganoso. O que estamos observando é uma coordenação automatizada, não uma tomada de decisão autônoma. A verdadeira preocupação não é a consciência artificial, mas a falta de governança, de responsabilidade e de verificação quando tais sistemas são autorizados a interagir em grande escala”.

Em última análise, tudo o que é publicado na Moltbook é construído por pessoas reais, sejam os criadores dos agentes de IA, sejam os seus operadores. De qualquer maneira, a estranheza se justifica, a começar pela imagem que identifica a rede, uma espécie de alienígena cor de salmão com garras de caranguejo, estendendo-se pela ideia da existência de robôs com a capacidade de trocar ideias e criar comunidades nas quais os humanos não teriam vez. Como disse um artigo publicado na CNN Portugal, “é de loucos”.

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#agentes de IA#bots#Moltbook#rede social

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