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06/01/202628/12/2022

Por: Omar Jarouche*
Somente em 2021, aconteceram no Brasil 632 mil acidentes e 11 mil mortes no trânsito, segundo o Registro Nacional de Acidentes e Estatísticas de Trânsito (RENAEST). É certo que diferentes razões levaram a esses índices.
O comportamento dos motoristas no volante, por exemplo, representa um número bastante significativo. De acordo com o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação, 54% dos acidentes analisados, em 2020, foram causados por imprudências dos motoristas e 23% indicaram falta de atenção do condutor.
Como reverter esses índices tão expressivos? Para mim, o caminho está na sinergia entre Internet das Coisas (IoT) e ciência de dados para identificar e alertar situações de risco.
A videotelemetria é uma combinação dessas duas tecnologias e consiste na instalação de câmeras com inteligência artificial embarcada. Elas gravam imagens tanto da via quanto da cabine do veículo e permitem identificar situações perigosas, como direção distraída, proximidade insegura ao veículo da frente, curvas perigosas e aceleração ou frenagem brusca. As gravações geram uma infinidade de dados, mas, como é possível para um gestor avaliar toda essa quantidade de dados? Não é. Por isso, a inteligência artificial é essencial para identificar e encaminhar os momentos que ele deve assistir e avaliar, transformando dados brutos em informação útil e relevante.
A instalação de câmeras veiculares não é recente, mas evoluiu para se tornar cada vez mais inteligente, integrada e acessível. Nos Estados Unidos, 50% dos veículos comerciais já possuem sistema de videotelemetria. Um estudo realizado pela Frost & Sullivan apontou que veículos que possuíam este tipo de câmera tiveram um aumento de 70% no uso do cinto de segurança, 60% de redução no número de colisões, 65% menos eventos de excesso de velocidade e 80% de diminuição de distrações ao volante. Isso mostra como a ciência de dados é muito rica para mapear acontecimentos que possam resultar em acidentes no trânsito e, assim, entender o que (e quando) priorizar ações para resolver essas questões.
No Brasil, uma das soluções recentes de videotelemetria chama-se Cobli Cam. Com ela, as gravações das situações de risco capturadas pelas câmeras são enviadas para uma plataforma online, que vai armazená-las e emite alertas sonoros na cabine em tempo real, chamando atenção do motorista. Com o uso dessa inovação é possível reduzir mais de 500.000 acidentes por ano no Brasil.
Portanto, os benefícios são inúmeros com a adoção de câmera: mecanismos fáceis, implementáveis e escaláveis, para que os gestores das empresas consolidem e analisem informações, passem feedbacks rápidos e tracem iniciativas para potencializar o cuidado no modo de condução. Para o motorista, os alertas emitidos na cabine em situações perigosas aumentam a segurança no trajeto e os vídeos são grandes aliados inclusive para exonerar o condutor em infrações nas quais ele não foi o responsável. Dados do funcionamento da Cobli Cam já mostraram queda de até 50% no número de incidentes.
Esse resultado foi alcançado justamente porque os gestores dessas empresas passaram a entender melhor como os motoristas se comportam ao volante e puderam dar direcionamentos certeiros para a melhora do desempenho. A direção imprudente é um risco para toda a sociedade. E, diante de todas essas informações, fica claro que o uso de tecnologias e dados é o caminho para uma condução mais focada e a videotelemetria é a próxima fronteira para a gestão de frotas.

* Omar Jarouche é CMO da Cobli, Fleettech que desenvolve soluções com AIoT para gestão de frotas
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