Agente de IA difama e assedia engenheiro de software
Episódio mostra que a autonomia total concedida à tecnologia pode resultar em comportamento perigoso e prejuízo às pessoas
30/03/202613/04/2026

* Foto: vídeo que mostra suposto ataque a Tel Aviv foi gerado por IA
Por Ricardo Marques da Silva
Sem nenhuma surpresa, vídeos falsos gerados por inteligência artificial estão sendo usados em grande escala e sem inibições na guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã e o Líbano, como forma de causar impacto emocional por meio da propaganda enganosa. De ataques arrasadores de caças norte-americanos a Teerã até bombardeios iranianos a Tel Aviv, grande parte do que viraliza nas redes sociais é mentira, criada com o uso de registros de outros conflitos, de cenas de videogames ou, simplesmente, com o uso integral de ferramentas de IA.
Um dos muitos exemplos encontrados pelo site Euronews é um vídeo que começou a circular no início da ofensiva norte-americana contra o Irã e em poucos dias foi visto mais de 5 milhões de vezes. A legenda afirma que “os Estados Unidos lançaram seus poderosos caças F-15 no maior ataque aéreo da história moderna”, mas, na realidade, eram simulações de um SU-57 da força aérea russa no game Arma 3, um jogo de guerra em estilo ultrarrealista.
Outro vídeo citado pela Euronews e partilhado milhões de vezes em redes como X, TikTok, Instagram e Youtube mostra explosões numa cidade atingida por mísseis e informa que se trata de um ataque iraniano ao centro de Tel Aviv, em Israel. Porém, o clipe é claramente produzido por IA e contém imperfeições como a duplicação do telhado de alguns prédios e fumaça em um tom laranja pouco natural.
Ao analisar a proliferação desse tipo de deep fake como arma de guerra, o jornal britânico The Guardian ouviu especialistas em tecnologia, comunicação e psicologia e afirmou: “A prevalência de propaganda enganosa pode nos levar a duvidar de tudo. As pessoas certamente se tornarão mais hábeis em identificar esse tipo de material, mas também ficarão mais propensas a confundir conteúdo autêntico com propaganda enganosa. Como resultado, a confiança pública em indivíduos e instituições genuinamente confiáveis poderá diminuir”.
De acordo com o jornal, quando isso acontece, o efeito geral leva a uma espécie de dúvida niilista a respeito de realmente ter certeza de alguma coisa. “Como a propaganda enganosa pode atingir um público enorme, mesmo um pequeno efeito na população em geral pode ter consequências significativas. Agentes estatais, corporações e indivíduos podem influenciar crenças e decisões de grupos, incluindo o resultado de eleições, movimentos de protesto ou o sentimento geral sobre uma guerra impopular”, observou.
Na conclusão da reportagem, The Guardian destaca que as grandes empresas de tecnologia como OpenAI, Google e X podem ser responsabilizadas pelos vídeos criados por IA e serem obrigadas a promover intervenções para financiar tanto os esforços regulatórios quanto a educação digital. “A propaganda enganosa provavelmente veio para ficar. Mas, com visão e coragem suficientes, talvez ainda possamos nos adaptar a ela e até mesmo controlá-la”, acrescentou.
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