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Tecnologia: o futuro exige a nossa assinatura

Apenas 20% das novas contratações em tecnologia são de mulheres. Incentivar a participação feminina nessa área é uma responsabilidade de todos nós

30/03/2026

Tecnologia: o futuro exige a nossa assinatura
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Por Cleide Sperone*

A tecnologia é, em sua essência, a linguagem que desenha o amanhã. No entanto, se essa construção for limitada a apenas uma perspectiva, o mundo que entregaremos às próximas gerações será incompleto. Vivemos em uma era de saltos digitais sem precedentes e inovações disruptivas, mas ainda operamos com um “ponto cego” sistêmico: a sub-representação feminina nas carreiras de STEAM – sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática.

Este desequilíbrio não é reflexo de falta de talento ou vocação, mas o resíduo de barreiras culturais e sociais invisíveis que, desde cedo, tentam convencer meninas de que as ciências, a engenharia e a programação são territórios distantes. No Brasil, o cenário é sintomático: um exemplo é o estudo da Laboratória em parceria com a McKinsey & Company, que revelou que apenas 20% das novas contratações em tecnologia são de mulheres. Em um setor em plena expansão, essa estatística não representa apenas um gap social; é também uma perda latente de capital intelectual e criativo.

Durante o Mês da Mulher, celebrado em março, essa reflexão ganha ainda mais relevância. Mais do que lembrar uma data, o período nos convida a ampliar o debate sobre equidade e oportunidades, especialmente em áreas estratégicas para o futuro, como a tecnologia. É um momento de reforçar que incentivar meninas e mulheres a ingressarem e permanecerem nessas carreiras é uma responsabilidade coletiva.

Para que essa transformação aconteça, precisamos criar ecossistemas que permitam às mulheres não apenas entrar no setor, mas prosperar. Isso inclui trilhas de aprendizado, desenvolvimento profissional e, sobretudo, acesso a experiências práticas que validem suas habilidades técnicas e sua visão estratégica.

Programas escolares de tecnologia, hackathons voltados para meninas, mentorias com profissionais do setor e bolsas de estudo são exemplos de iniciativas que ajudam a abrir portas. Oficinas de programação, projetos de robótica e experiências práticas mostram que a tecnologia não é apenas um campo masculino, mas um espaço onde mulheres podem ser protagonistas, inovando e liderando projetos.

O impacto desses estímulos transcende iniciativas pontuais: ele gera um efeito cascata. Mulheres que se reconhecem como protagonistas não transformam apenas suas trajetórias individuais; elas inspiram, redefinem horizontes para colegas, irmãs e comunidades inteiras, provando que o chamado “teto de vidro” é uma barreira que pode ser superada com suporte e oportunidade. Cada oportunidade aberta contribui para um mercado mais robusto, resiliente e justo.

A mensagem é clara: mulheres são agentes de mudança e alta performance. Quando recebem incentivo, mentoria e oportunidades reais, demonstram uma força transformadora capaz de redesenhar o mundo da tecnologia e multiplicar exemplos para novas gerações. Não se trata apenas de equilibrar estatísticas, mas de criar um ecossistema em que diferentes vozes, perspectivas e talentos coexistam, gerando soluções mais inovadoras e inclusivas.
Promover esses estímulos não é apenas investir em educação ou carreiras; é ajudar a reescrever o futuro. E esse futuro precisa, mais do que nunca, da inteligência, da sensibilidade e da criatividade das mulheres — também como protagonistas de uma nova era digital, inovadora e igualitária.

Cleide Sperone é EDU Sales Leader na Dassault Systèmes

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#ecossistema#hackaton#Mulher#Steam#tecnologia

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