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24/02/202616/06/2025

Por Ricardo Marques da Silva
Em plena Amazônia, a organização brasileira sem fins lucrativos NoHarm está aplicando ferramentas de inteligência artificial para apoiar o sistema público de saúde e os pacientes atendidos pelo SUS, principalmente na área da farmácia clínica. Com parceiros de grande porte, como o Google, a Oracle, a Nvidia, a Amazon e a Fundação Gates, o instituto chama atenção pela originalidade de suas soluções e já ganhou espaço na mídia internacional, como mostra uma reportagem publicada agora em junho pelo portal Rest of World, dos Estados Unidos.
A matéria começa por registrar o dia a dia atarefado do farmacêutico Samuel Andrade, que trabalha no município de Caracaraí, em Roraima, e tem a vida facilitada quando passa a usar o assistente de IA da NoHarm, que identifica receitas potencialmente erradas e coleta dados que aumentam a segurança. Andrade disse que a ferramenta quadruplicou sua capacidade de liberar receitas e fornece relatórios digitais, em vez de físicos.
A publicação norte-americana exaltou, em especial, a importância e a dimensão do SUS e disse que o Brasil “possui o programa de saúde universal mais ambicioso do mundo”. O Rest of World acrescentou: “(O SUS) oferece assistência médica a todos, em todos os lugares, gratuitamente – até mesmo a estrangeiros. Busca atender mais de 200 milhões de pessoas, o que significa que a maioria das dezenas de milhares de unidades de saúde está sobrecarregada, principalmente nas áreas rurais, onde há menos médicos e farmacêuticos”.
É nesse contexto que se destaca a solução da NoHarm (expressão que pode ser traduzida como “sem danos”), criada em 2019 em Porto Alegre pelos irmãos Ana Helena, farmacêutica, e Henrique Dias, cientista da computação. Em pouco tempo eles conseguiram apoios de peso e, hoje, fazem parte do sistema de startups Amazon Web Services (AWS), que descreve a empresa como a criadora de “um sistema que usa IA para auxiliar a farmácia clínica na tomada de decisão e vincula os dados dos hospitais para indicar onde estão os possíveis erros de prescrição, aumentando a qualidade assistencial e a eficiência hospitalar”.
A ferramenta já avaliou mais de 90 milhões de prescrições por meio de algoritmos para otimização da validação farmacêutica, com prioridade para receitas fora do padrão e identificação de pacientes críticos. O software é aplicado em dezenas de cidades nas regiões mais pobres do país, como o interior do Nordeste e da Amazônia.
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