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Pesquisadora usa IA para decifrar a linguagem dos pássaros

A neurocientista Julie Elie ganhou um prêmio de US$ 100 mil por um trabalho que pode ser um avanço na comunicação com animais

29/06/2026Por Ricardo Marques

Pesquisadora usa IA para decifrar a linguagem dos pássaros
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*Imagem: reprodução/Universidade de Tel Aviv

A combinação de recursos de inteligência artificial com o estudo de um pequeno pássaro canoro levou a neurocientista norte-americana Julie Elie, do Laboratório Theunissen da Universidade da Califórnia em Berkeley, a ganhar US$ 100 mil como vencedora do Desafio Coller-Dolittle de 2026. Ela mostrou como os tentilhões-zebra usam um repertório complexo de vocalização para comunicar quem são e o que estão fazendo, por meio de “assinaturas” individuais, e decifrou os 11 chamados principais do vocabulário dessas aves e seus significados.

O resultado foi anunciado na última quinta-feira pela Fundação Jeremy Coller e pela Universidade de Tel Aviv, que criaram o prêmio em 2024 com o objetivo de utilizar os avanços em IA para superar os obstáculos à comunicação bidirecional entre humanos e animais. Além do trabalho vencedor, chegaram à fase final da disputa três pesquisas de cientistas franceses, norte-americanos e suíços, que também descobriram informações pioneiras a respeito da complexidade da comunicação não humana.

Entre as espécies estudadas por essas equipes estavam ratos-listrados africanos, chimpanzés da Costa do Marfim e macacos bonobos. Jeremy Coller, fundador e presidente da Fundação Coller, disse ao site da Universidade de Tel Aviv que ficou realmente impressionado com a maneira como os finalistas usaram as mais recentes ferramentas de IA para aproximar a realização de um sonho antigo: “Se os humanos conseguirem se comunicar com outros animais, isso inaugurará uma nova era para o mundo, mas, para que isso aconteça, primeiro precisamos entender como eles se comunicam entre si”, afirmou.

Yossi Yovel, professor da universidade israelense e presidente do Desafio Coller Dolittle, acrescentou: “O avanço da IA ​​está fornecendo novas ferramentas para entendermos a comunicação animal de um modo que antes só podíamos sonhar. Os finalistas utilizaram métodos inovadores para decifrar a comunicação não humana e deram passos pioneiros para nos ajudar a entender como outras espécies se comunicam”.

Julie Elie, a vencedora do desafio, contou que os tentilhões-zebra são muito vocais, o que significa que produzem uma grande quantidade de dados. “A pergunta que me fiz ao ouvir esses pássaros tagarelas foi esta: o que eles estão dizendo?”, explicou. Para isso, ela observou a espécie por mais de dez anos e gravou e classificou os sons emitidos. Em seguida, usou aprendizado de máquina para analisar como a informação estava codificada nos sons e fez experimentos que confirmaram sua classificação.

Em um dos testes, tentilhões-zebra ouviram diversos sons de seu repertório ao pressionarem um botão. Alguns sons eram seguidos por uma recompensa de sementes e, conforme o teste prosseguia, os pássaros aprenderam a pressionar o botão certo e pular os sons que não ofereciam recompensa. “É semelhante a navegar por vídeos em redes sociais, passando para o próximo quando um parece entediante. As respostas das aves indicavam que elas tinham uma imagem mental do significado de suas vocalizações. Em outras palavras, que entendiam o significado de seus tipos de chamados”, disse Elie.

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#comunicação bidirecional#comunicação com animais#comunicação não humana#linguagem dos pássaros

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