Pesquisador deixa Anthropic e diz que o mundo está em risco
Ex-líder em segurança de IA da big tech abre mão do emprego dos sonhos e diz que agora vai se dedicar à escrita e estudar poesia
13/02/2026
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Por Ricardo Marques da Silva
Para a maioria das pessoas, ter um cargo de liderança numa das empresas de tecnologia mais influentes do mundo seria a realização de um sonho. Mas o pesquisador Mrinank Sharma não pensa assim e acaba de anunciar que pediu demissão da Anthropic, a big tech norte-americana especializada no desenvolvimento de sistemas gerais de IA e modelos de linguagem e criadora do chatbot Claude, fundada por ex-integrantes da OpenAI. E ele foi mais longe: disse que o mundo está em perigo e que agora vai se dedicar à escrita e ao estudo de poesia.
A notícia surpreendeu o setor, considerando que Sharma era o líder em segurança de IA na Anthropic, uma posição de grande importância nessa área de negócios. Na carta de demissão que publicou em suas redes sociais, ele disse que estava deixando o cargo devido a preocupações com o rumo atual da inteligência artificial, as armas biológicas e a situação do mundo em geral e que voltaria para o Reino Unido “para se tornar invisível por algum tempo”.
Contudo, o perfil de Mrinank Sharma permitia supor que ele seria capaz de tomar uma decisão como essa. Em sua página oficial na internet, ele se apresentava assim: “Lidero a equipe de pesquisa de salvaguardas na Anthropic. Anteriormente, obtive meu doutorado em aprendizado de máquina estatístico pela Universidade de Oxford. É meu sincero desejo que meu trabalho possa beneficiar a todos. O trabalho só importa se for feito com amor”.
Ele também se declara um grande admirador do poeta tcheco Rainer Maria Rilke, “que inspira grande parte da minha poesia, incluindo minha coletânea Vivemos e morremos mil vezes”. E acrescenta: “Valorizo as belas qualidades do coração e amo os ensinamentos sobre a construção da alma. Também sou DJ e gosto de danças temáticas que buscam desenvolver sabedoria e compaixão”.
Na carta de demissão ele fez afirmações enigmáticas: “O mundo está em perigo. E não apenas por causa da inteligência artificial ou das armas biológicas, mas por causa de toda uma série de crises interligadas que estão se desenrolando neste exato momento”. Ele disse também que é muito difícil deixar que os valores realmente governem as ações e que a Anthropic, onde havia ingressado em 2023, “enfrenta pressões constantes para deixar de lado o que mais importa”.