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12/05/202623/06/2026Por Ricardo Marques

A partir do próximo ano letivo, os alunos do ensino fundamental da Noruega não poderão mais usar ferramentas de IA generativa nas escolas, e adolescentes de 14 a 16 anos precisarão da supervisão direta de um professor. A decisão foi anunciada na sexta-feira pelo primeiro-ministro Jonas Gahr Støre, que destacou a necessidade de proteger crianças e jovens da dependência de tecnologias capazes de interferir no processo de aprendizagem.
Støre disse que o uso sistemático de inteligência artificial na sala de aula leva as crianças a pular etapas cruciais na educação, com resultados negativos para o aprendizado da leitura, da escrita e da matemática. A fiscalização das novas regras caberá às escolas, que já estão habituadas a esse tipo de restrição, considerando que, como ocorre no Brasil, desde 2024 os estudantes noruegueses não podem usar celulares no ambiente de ensino.
De acordo com o governo, essa medida produziu resultados mensuráveis, e um estudo da pesquisadora Sara Abrahamsson, que analisou mais de 400 escolas de ensino fundamental na Noruega, constatou que a proibição levou à redução do bullying, ao aumento das notas e a uma queda de aproximadamente 60% nas consultas com psicólogos, com efeitos particularmente acentuados entre as meninas.
A proibição da IA generativa segue essa mesma lógica e deverá ser completada com outras iniciativas semelhantes. O próximo passo poderá ser o bloqueio do acesso de crianças e adolescentes às redes sociais, anunciado em abril pelo governo, com a expectativa de que o projeto de lei chegue ao Parlamento ainda neste ano.
Dessa maneira, o país nórdico segue a estratégia adotada pela Austrália, que, em caráter pioneiro, desde dezembro do ano passado proíbe o acesso a redes sociais por menores de 16 anos. O Reino Unido também avança com uma lei semelhante e vários países da União Europeia estão discutindo essa possibilidade.
Como destacou a Reuters, a Noruega começou a adotar computadores nas salas de aula na década de 1990, e tablets a partir de 2010, com a intenção de reduzir a dependência de livros e da escrita a mão. Agora, parece que está havendo uma inversão nessa estratégia, e o governo, ao anunciar a proibição da IA generativa, afirmou que pretende financiar o uso de mais livros em sala de aula, contra a tendência de adoção de tablets.
#ensino fundamental#IA generativa#processo de aprendizagem

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