Matrículas em ciência da computação nos EUA estão em queda
Especialistas dizem que um dos motivos é a expansão da oferta de programas específicos de IA nas universidades
18/02/2026
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Por Ricardo Marques da Silva
Pela primeira vez, a Universidade da Califórnia registrou uma queda no número de matrículas no semestre atual em seus prestigiados cursos de ciência da computação, confirmando o que vem acontecendo em outras instituições de ensino superior nos Estados Unidos. A redução do interesse dos alunos por essa especialidade foi o destaque de uma reportagem recente do jornal San Francisco Chronicle, que citou uma queda de 6% em todo o sistema, com exceção da UC San Diego, que adicionou um curso de graduação específico em IA no semestre .
Uma das explicações seriam as notícias a respeito da redução no número de graduados em ciência da computação que encontram emprego depois de concluírem a faculdade. Porém, mais do que um êxodo, os especialistas citam como principal motivo o aumento da oferta de cursos específicos de IA em dezenas de universidades norte-americanas.
Por exemplo, o curso “IA e tomada de decisões” lançado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) é agora o segundo mais procurado na instituição. O mesmo aconteceu na Universidade do Sul da Flórida, que recebeu mais de 3 mil matrículas em uma nova faculdade de IA e cibersegurança durante o último semestre. A Universidade de Buffalo também criou um departamento de IA e Sociedade que oferece sete novos cursos de graduação especializados e recebeu muitas inscrições antes mesmo de sua abertura, de acordo com o site TechCrunch.
No mesmo caminho, a Universidade do Sul da Califórnia lançará um curso de graduação em IA no próximo semestre, assim como a Universidade Columbia, a Pace e a Universidade Estadual do Novo México, entre muitas outras. “Os alunos não estão abandonando a tecnologia; eles estão optando por programas focados em IA”, disse a TechCrunch.
A expansão dos cursos específicos de IA, segundo os analistas, é também uma tentativa do meio acadêmico dos Estados Unidos de acompanhar o ritmo adotado pela China, onde a fluência em IA já deixou de ser opcional para se tornar um pré-requisito de avanço na carreira. De acordo com uma reportagem da MIT Technology Review, as universidades chinesas estão investindo fortemente na alfabetização em IA, tratando a tecnologia não como uma ameaça potencial que precisa ser gerenciada, mas sim como uma infraestrutura essencial.
Quase 60% dos estudantes e professores chineses usam ferramentas de IA várias vezes ao dia e em algumas escolas, como a Universidade de Zhejiang, os cursos de IA são obrigatórios. Além disso, 80% das vagas de emprego disponíveis para recém-formados na China relacionam habilidades relacionadas à IA como um diferencial. “Em uma economia em desaceleração e um mercado de trabalho competitivo, muitos estudantes veem a IA como uma tábua de salvação”, afirmou a MIT Technology Review.