Inteligência artificial como impulsionadora das cidades inteligentes
Cidades como Las Vegas utilizam sensores ópticos em parques para monitoramento automatizado, enquanto tecnologias de vigilância por vídeo e iluminação inteligente aumentam a eficácia na prevenção de crimes
12/03/2025Por Marcelo Ciasca
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A Inteligência Artificial (IA) não é mais uma tendência para o futuro, ela já está presente em nossa sociedade. Um estudo feito pela Ipsos e pelo Google em 21 países, com a participação de 21 mil pessoas, mostrou que, em 2024, 54% dos brasileiros utilizaram IA generativa, superando a média global de 48%.
Essa tecnologia também está moldando o presente das cidades ao redor do mundo. Precisamos enxergar o potencial da IA não apenas como uma ferramenta de inovação, mas como um acelerador para transformar a maneira como as cidades operam, tornando-as mais eficientes, seguras e sustentáveis. Com sua integração com serviços governamentais digitais, transporte inteligente e gêmeos digitais interativos, a IA está redefinindo o planejamento e a gestão urbana.
De acordo com um estudo da S&P Global, nos próximos cinco anos, a IA e a IA generativa terão um impacto direto na administração pública, criando oportunidades sem precedentes para cidades mais inteligentes e conectadas. Os dados deixam claro que a IA já está fazendo a diferença. Segundo a pesquisa Voice of the Enterprise, 50% das lideranças governamentais enxergam a segurança pública como o principal motor das iniciativas de cidades inteligentes, seguida pela melhoria da qualidade de vida (44%) e pela eficiência nos serviços urbanos (42%).
As aplicações práticas dessa tecnologia já são visíveis em vários segmentos. Na segurança, por exemplo, cidades como Las Vegas utilizam sensores ópticos em parques para monitoramento automatizado, enquanto tecnologias de vigilância por vídeo e iluminação pública inteligente aumentam a eficácia na prevenção de crimes. Em sustentabilidade, Lisboa implementou gêmeos digitais para prever inundações e mitigar seus impactos.
Já na melhoria da qualidade de vida, Londres está avançada com sensores hiperlocais que monitoram a qualidade do ar e promovem maior inclusão financeira. Além disso, a digitalização de serviços públicos tem elevado o nível de satisfação dos cidadãos, como demonstrado na Filadélfia, que simplificou processos de licenciamento com o uso de IA.
Mesmo em países tecnologicamente avançados, como os Estados Unidos, muitas cidades ainda enfrentam desafios administrativos devido a sistemas burocráticos ultrapassados. No entanto, projetos inovadores estão mostrando que a IA pode ser uma aliada poderosa na modernização da gestão urbana. Em Honolulu, por exemplo, a automação de processos reduziu em 70% o tempo de aprovação de licenças residenciais. Em Seattle, a otimização dos sinais de trânsito gerou uma economia de US$ 10.000 em poucos meses. Já na Califórnia, a IA é usada para monitorar câmeras e detectar incêndios florestais, garantindo respostas mais rápidas a emergências. Além disso, iniciativas como o uso de chatbots para atendimento administrativo em Raleigh e ferramentas de tradução automatizada para imigrantes demonstram como a tecnologia pode aproximar governos e cidadãos.
Olhando para o futuro, a IA promete redefinir a infraestrutura urbana de maneira ainda mais profunda. A integração com a Internet das Coisas (IoT) permitirá a gestão inteligente de recursos urbanos, enquanto a IA generativa facilitará o planejamento urbano com simulações avançadas. No transporte, vamos ver um crescimento acelerado dos veículos autônomos, tanto no transporte público quanto em serviços privados, tornando a mobilidade mais eficiente e acessível. Serviços públicos personalizados, adaptados às necessidades individuais dos cidadãos, serão uma realidade. Também a previsão do tempo será fortalecida com sistemas de IA capazes de prever eventos extremos e otimizar o uso de recursos naturais.
Cidades ao redor do mundo já estão liderando essa transformação. Buenos Aires, por exemplo, registrou mais de 11 milhões de interações com seu chatbot “Boti”, facilitando o acesso a serviços públicos. Cingapura se destaca na aplicação da IA generativa para desenvolver conteúdos educativos e chatbots comunitários. Amsterdã investe no uso da IA para criação de materiais sustentáveis, enquanto Dallas testa caminhões autônomos equipados com sensores preditivos. Em Boston, a IA generativa está sendo usada no desenvolvimento de infraestruturas para ciclistas, promovendo um planejamento urbano mais sustentável.
No Brasil, Curitiba se destaca como um exemplo de inovação e sustentabilidade e é referência em cidades inteligentes. A cidade conquistou o World Smart City Awards de 2023, o que comprova o avanço da capital paranaense na adoção de soluções tecnológicas para melhorar a qualidade de vida da população. Um dos destaques é o sistema de lixeiras equipadas com sensores, que notificam os serviços de coleta quando estão cheias, permitindo uma logística mais eficiente, com economia de combustível e redução das emissões de carbono. Além disso, Curitiba foi pioneira na instalação de luminárias públicas com antenas 5G integradas, o que possibilita um controle mais preciso do consumo energético e da intensidade da iluminação, além de emitir alertas em tempo real sobre falhas.
Apesar de todo esse avanço, não podemos ignorar os desafios que a adoção da IA nas cidades traz. Questões como privacidade e segurança de dados, igualdade no acesso à tecnologia, transparência nos processos de decisão e resistência à mudança ainda precisam ser enfrentadas e debatidas com seriedade.
Outro fator que pode dificultar a implantação em larga escala são as barreiras financeiras e estruturais. Para enfrentar esse desafio, é importante que governos e empresas trabalhem juntos para garantir que os benefícios da IA sejam amplamente distribuídos.
A IA não é apenas uma ferramenta tecnológica, ela é a base de um novo modelo de cidade, onde eficiência, inovação e bem-estar andam juntos. A automação de serviços, a análise de grandes volumes de dados e a otimização de recursos já estão transformando a qualidade de vida urbana. No entanto, para que essa evolução aconteça de forma equilibrada, é fundamental enfrentar os desafios com visão estratégica e responsabilidade. O futuro das cidades será moldado pela nossa capacidade de unir inovação e governança, para, assim, garantir que os avanços tecnológicos sejam acessíveis a todos e que os centros urbanos se tornem mais inteligentes e humanos.