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IA está acelerando o desemprego de profissionais seniores

Estudo revela o cenário do trabalho nas áreas mais expostas ao impacto da tecnologia e reforça a necessidade de requalificação

30/07/2026Por Redação

IA está acelerando o desemprego de profissionais seniores
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Um estudo recente do Centro de Pesquisa sobre Aposentadoria do Boston College, dos Estados Unidos, mostrou que, desde o lançamento do ChatGPT, em novembro de 2022, profissionais com mais de 55 anos vêm perdendo seus empregos em ritmo mais acelerado, principalmente em ocupações altamente expostas à IA, como programação, contabilidade e auditoria. Alguns trabalhadores em final de carreira podem estar deixando o trabalho mais cedo do que o planejado, seja involuntariamente, por meio de demissões, seja voluntariamente, devido ao desafio de aprender uma nova tecnologia.

De acordo com o estudo, mesmo com a IA, muitas profissões de alta visibilidade ainda apresentam taxas de saída mais baixas do que profissões de baixa visibilidade, que tendem a exigir mais trabalho físico. “Em resumo, enquanto muitos especialistas em políticas públicas defendem uma vida profissional mais longa, a IA pode estar levando alguns trabalhadores mais velhos para a direção oposta”, disseram os analistas do Boston College.

Eles lembraram que pesquisas recentes sugerem que uma parcela significativa de profissionais mais experientes está usando IA, e um dos levantamentos constatou que 18% dos trabalhadores entre 50 e 64 anos utilizam IA generativa. Outro estudo, restrito a tomadores de decisão de alto escalão, encontrou uma taxa de uso de 42% para aqueles com 55 anos ou mais. ”O problema é que ambos os estudos também constataram que essas taxas de adoção são muito menores do que as de trabalhadores na faixa dos 30 e 40 anos. A questão agora é identificar como essas forças estão se manifestando no mercado de trabalho”, acrescentaram os pesquisadores.

Lucas Fernandes, cofundador da startup brasileira AutoU, dedicada a soluções de IA, disse que a tendência é a valorização dos profissionais que conseguem combinar experiência prática com o uso estratégico da tecnologia. “A IA muda a forma como o trabalho é executado, mas não elimina a importância da experiência. Profissionais seniores carregam repertório, visão crítica e capacidade de tomar decisões em cenários complexos, atributos que a IA ainda não substitui. O diferencial passa a ser incorporar essas ferramentas ao dia a dia para ampliar a produtividade e a qualidade do trabalho”, afirma.

Ele destaca que, acima de tudo, as empresas precisam investir em programas de requalificação e capacitação dos empregados mais velhos, a fim de evitar que a transformação digital amplie desigualdades dentro das organizações. “É um equívoco associar o domínio tecnológico apenas às gerações mais jovens. Quando recebem treinamento adequado e conseguem entender como aplicar a IA em sua rotina, profissionais mais experientes costumam acelerar a adoção porque conseguem identificar rapidamente onde a tecnologia gera valor para o negócio. As empresas que conseguirem unir tecnologia e experiência terão equipes mais produtivas, inovadoras e preparadas para enfrentar um mercado em constante transformação”, observou Fernandes.

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