Avanço da IA leva jovens a buscarem profissões “práticas”
À medida que a tecnologia elimina empregos, cresce a procura por especializações em áreas nas quais o trabalho humano é insubstituível
04/12/202509/02/2026

Por Ricardo Marques da Silva
Quando se fala nas profissões mais ameaçadas pelo avanço das ferramentas de inteligência artificial, entre as mais apontadas sempre estão as que se relacionam com a escrita. Porém, agora as próprias empresas de tecnologia parecem pensar de forma diferente e estão investindo com mais consistência na área de comunicação e contratando profissionais que se distinguem por uma habilidade específica: escrever bem.
Alguns especialistas afirmam que a própria IA é a responsável pela valorização de bons redatores e “contadores de histórias”, na medida em que o uso recorrente de bots impõe uma narrativa confusa, prolixa e de má qualidade. Recentemente, o próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, dona do ChatGPT, lamentou que as pessoas estão adquirindo uma espécie de “sotaque de IA” ao falar e que alguns discursos em redes sociais “parecem muito artificiais”.
O tema foi abordado em uma reportagem do site de notícias norte-americano Business Insider, que citou exemplos da valorização da comunicação nas grandes empresas de tecnologia. Na relação, destaca-se a OpenAI, que tem várias vagas abertas na área de comunicação com salário anual acima de US$ 400 mil, bem acima da média registrada nos Estados Unidos, de US$ 106.000, segundo a plataforma de emprego Indeed.
E tem mais: nadando contra a corrente, a Microsoft começou a publicar no ano passado a revista impressa Signal Magazine, definida como “um antídoto contra a natureza efêmera do digital”. O Business Insider também lembrou que em 2025 a Anthropic triplicou o tamanho de sua equipe de comunicação, agora com cerca de 80 pessoas, e ainda está contratando mais cinco profissionais com salários em torno de US$ 200 mil por ano, e a Netflix anunciou recentemente uma vaga para diretor de comunicação de produto e tecnologia com salário anual de até US$ 775 mil.
O Wall Street Journal já havia relatado que o número de vagas de emprego no LinkedIn que mencionam “contador de histórias” dobrou entre 2024 e 2025, o que seria um sinal claro da valorização dos redatores, editores e comunicadores humanos. Gab Ferree, fundador da Off the Record, uma comunidade para profissionais de comunicação, disse ao Business Insider que uma das teorias por trás dessa tendência é que “há tanta informação ruim por aí que as pessoas querem pagar mais por alguém que consegue se destacar em meio a tanta irrelevância”.
“Assim como na programação e na geração de imagens, é provável que os assistentes virtuais continuem a evoluir. Eventualmente, poderão escrever com mais naturalidade ou soar mais humanos. Mas os chatbots e agentes não pensam. Eles geram conteúdo criativo sem passar por um processo criativo”, afirmou o Business Insider.
Os especialistas concordam e destacam que o LinkedIn, por exemplo, está cheio de posts escritos por IA em um estilo semelhante “que faz os olhos se perderem enquanto se rola a tela”. Cristin Culver, fundadora da Common Thread Communications, completou: “Se todo mundo é escritor [com a ajuda da IA], então ninguém é escritor, e acho que isso está muito evidente agora”.
#comunicação#contadores de histórias#escrever bem#narrativas padronizadas da IA

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