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15/01/202604/02/2026

Por Bruno Gonçalves de Macedo
“Don’t shoot!”. Se você jogou ARC Raiders, eleito o melhor jogo multiplayer no TGA 2025, certamente já ouviu esta frase em várias de suas raids. A frase, usada pelos jogadores para tentar evitar confrontos entre eles mesmos, chama a atenção não apenas pelo desespero na voz, mas sim devido ao fato de que aquela fala não foi gravada por um dublador em estúdio, mas sim gerada por meio de Inteligência Artificial.
No entanto, o verdadeiro salto tecnológico do shooter de extração da Embark Studios não está na capacidade da IA de “falar”, mas sim na inteligência que move os mecanoides do jogo, conhecidos como ARCs. Para entender por que os ARCs são diferentes de qualquer bot que você já enfrentou em outros jogos, é preciso falar sobre Machine Learning (Aprendizado de Máquina).
De forma simplificada, o Machine Learning é um subcampo da IA que permite que sistemas aprendam e melhorem a partir da experiência, sem serem explicitamente programados para cada ação. Em vez de um desenvolvedor escrever uma linha de código com a programação “se o jogador pular, atire para cima”, o sistema é alimentado com dados e objetivos, permitindo que ele descubra por conta própria a melhor maneira de atingir esse objetivo.
Em ARC Raiders, a Embark Studios utiliza uma abordagem de Aprendizado por Reforço para treinar os ARCs. Resumidamente, o método funciona da seguinte forma:
Sendo assim, com o tempo, a máquina descobre táticas complexas de flanqueamento, cerco e cobertura que um programador humano dificilmente conseguiria codificar manualmente. Isso acaba trazendo diversos benefícios para a longevidade do jogo, dado que, dessa forma, nenhuma raid é igual à anterior.
Prova disso é que, mesmo dois meses após seu lançamento, ARC Raiders ainda mantinha 91% de sua base de jogadores na Steam. A título de comparação, Battlefield 6, lançado no mesmo mês e muito bem avaliado, mantinha apenas 15% de sua base de jogadores na Steam no mesmo período, segundo matéria da Forbes escrita por Paul Tassi.
Esses dados comprovam que a régua subiu, e a previsibilidade não será mais tolerada. A Inteligência Artificial deixou de ser apenas uma ferramenta para gerar vozes ou imagens e se tornou a espinha dorsal da gameplay. Para quem vem a seguir, fica o aviso: Evolua ou chame o elevador, se prepare, e retorne na Speranza de conseguir sobreviver neste mundo hostil dos videogames…

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