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Como a IA agêntica revoluciona o setor de compras nas empresas

A inteligência artificial surge como um dos principais vetores de mudança, reduzindo custos e oferecendo maior agilidade, elevando compras a um papel cada vez mais estratégico dentro das organizações

19/05/2026

Como a IA agêntica revoluciona o setor de compras nas empresas
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Por Leonardo Alexander*

Durante muitos anos, a área de compras foi percebida como um setor essencialmente operacional, focado na execução de tarefas administrativas, na negociação básica de preços e no relacionamento do dia a dia com fornecedores. Apesar disso, o ambiente de procurement (compras e suprimentos) sempre enfrentou pressão por agilidade, redução de custos, gestão estratégica de fornecedores e conformidade regulatória.

Segundo dados do estudo Procurement Software Market, da consultoria Grand View Research, o mercado global de compras já supera US$ 10 bilhões e deve ultrapassar US$ 21 bilhões em 2033, com taxas de crescimento anual próximas a dois dígitos – e ainda mais aceleradas em áreas como analytics e inteligência artificial, que avançam acima de 20% ao ano.

A adoção de tecnologias baseadas em IA permite que empresas avancem de um modelo reativo para uma abordagem preditiva. Com o uso de algoritmos capazes de analisar grandes volumes de dados, é possível antecipar flutuações de preços, identificar riscos na cadeia de fornecimento e sugerir alternativas antes que problemas impactem a operação. Isso representa uma mudança significativa na forma como decisões são tomadas, reduzindo incertezas e aumentando a resiliência dos negócios.

A vez dos agentes
Uma pesquisa divulgada recentemente pela McKinsey mostra que mais de 40% dos líderes da área de compras acreditam que a IA é uma tecnologia disruptiva para o setor. A consultoria aponta que a nova onda da inteligência artificial ​​mostra a transição da IA ​​analítica (“Mostre-me os dados”) para a IA agêntica (“Faça por mim”). Para quem ainda não está familiarizado com o termo, os agentes de IA são sistemas autônomos, baseados em inteligência artificial, capazes de tomar decisões e executar tarefas específicas no ambiente digital, aprendendo e se adaptando a partir de grandes volumes de dados. Na área de compras, eles atuam como copilotos digitais, assumindo funções desde automação de rotinas administrativas até negociações complexas.

O estudo Redefinindo o desempenho da função de compras na era da IA ​​agêntica, da McKinsey, destaca que o setor de compras em geral opera com dados fragmentados, desatualizados ou incompletos. De acordo com a consultoria, a área de compras na maioria das empresas utiliza menos de 20% dos dados disponíveis para embasar a tomada de decisões! Se o cenário de procurement está passando por uma transformação sem precedentes, os agentes de IA com certeza são os protagonistas dessa revolução.

Com a inteligência artificial agêntica é possível utilizar uma proporção muito maior desses dados para embasar escolhas. Isso exige o combate aos silos de dados, com conexões digitais entre as ferramentas e os dados existentes e com a criação de uma infraestrutura de dados comum com informações confiáveis ​​sobre gastos, fornecedores, contratos e referências de mercado.

A IA também contribui para elevar o nível de governança e compliance nas empresas. Ferramentas inteligentes conseguem monitorar padrões de comportamento, identificar desvios e garantir maior transparência nas transações. Em um cenário em que questões como ESG e conformidade regulatória ganham relevância, esse tipo de capacidade se torna um diferencial competitivo importante.

Além disso, a integração da IA com outras tecnologias, como análise avançada de dados e plataformas digitais de procurement, tem ampliado a visibilidade sobre toda a cadeia de suprimentos. Com isso, as empresas conseguem tomar decisões mais embasadas, baseadas em dados em tempo real, e responder de forma mais ágil às mudanças do mercado.

Equipe alinhada
No entanto, a transformação impulsionada pela IA não se limita à tecnologia. Ela exige uma mudança cultural nas organizações. É fundamental investir na capacitação das equipes, promover uma mentalidade orientada a dados e incentivar a colaboração entre áreas. O sucesso da adoção de IA em compras depende, em grande parte, da capacidade das empresas de alinhar pessoas, processos e tecnologia.

O futuro do setor de compras será cada vez mais orientado por agentes de IA e automação. Empresas que conseguirem incorporar essas ferramentas de forma estratégica estarão melhor posicionadas para enfrentar desafios, capturar oportunidades e gerar valor sustentável.

*Leonardo Alexander é CEO e sócio fundador da PG Consulting, consultoria com expertise em procurement, supply chain e logística, que impulsiona a vantagem competitiva de seus clientes, aumentando suas receitas, reduzindo custos (com mais de US$ 4,8 bilhões em savings) e melhorando a qualidade do fornecimento de produtos e serviços.

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#logística#PG Consulting#procurement#setor de compras#supply chain

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