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China usa IA para aumentar o acesso à medicina tradicional

Governo está apoiando a utilização da tecnologia para obter avanços no tratamento de pacientes e na cura de doenças

11/02/2026

China usa IA para aumentar o acesso à medicina tradicional
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*Foto: estande da Link2Care na CES/Reprodução Rest of World

Por Ricardo Marques da Silva

À primeira vista, nada parece mais distante da inteligência artificial do que a medicina tradicional chinesa, baseada em práticas e conhecimentos seculares transmitidos geração a geração. Porém, o governo da China está recorrendo à tecnologia para melhorar a qualidade dos medicamentos e ampliar o acesso da população aos serviços médicos.

O uso de ferramentas de IA na área da saúde está sendo visto como uma importante mudança cultural num país em que a medicina tradicional é parte do seu patrimônio nacional e seus remédios são tão amplamente utilizados quanto os medicamentos modernos, respondendo pelo tratamento de quase 1 bilhão de pessoas. No entanto, está ocorrendo uma diminuição sensível no número de profissionais que praticam esse ramo da medicina chinesa, e estudos também apontam inconsistências em seus remédios, como resultado das diferenças nos compostos principais.

Agora, a IA está ajudando a reduzir esses problemas e, desde 2012, foram criadas quase 30 políticas específicas e medidas importantes relacionadas à medicina tradicional, de acordo com uma reportagem da organização Rest of World. Uma diretriz governamental para “fortalecer o patrimônio e o desenvolvimento inovador da cultura da medicina tradicional chinesa” também foi ampliada em 2024 por um aumento no financiamento que atingiu o recorde de mais de 22 bilhões de yuans, equivalentes a cerca de US$ 3 bilhões.

Zhou Bin, vice-diretor de medicina tradicional chinesa do Hospital Pudong Gongli em Xangai, explicou que, no passado, era extremamente difícil pesquisar esses processos. “Agora, graças ao big data e a métodos químicos avançados, o processo avançou a passos largos. Com as novas tecnologias, temos a oportunidade de conseguir avanços significativos no tratamento dos pacientes, na cura de doenças e na descoberta de explicações científicas mais precisas. Se soubermos aproveitar isso, a medicina tradicional chinesa poderá ter um impacto tão profundo quanto a medicina ocidental”, afirmou.

Além disso, mais de 1.200 plataformas de pesquisa em medicina tradicional chinesa foram criadas em províncias por todo o país, e algumas equipes estão utilizando metodologias científicas, como sequenciamento genético e imunoensaios, para examinar princípios ativos, analisar suas composições moleculares e mapear interações com produtos farmacêuticos modernos, com o auxílio da IA.

Os cientistas chineses também estão usando IA e aprendizado de máquina para tornar mais acessível o conhecimento da medicina tradicional. Uma equipe da Universidade de Hong Kong extraiu mais de 48 mil conceitos de livros clássicos para construir o OpenTCM, um sistema de IA que educadores e alunos utilizam para pesquisar compostos, relacionar sintomas a tratamentos e responder a perguntas de diagnóstico.

Outro exemplo da aplicação da IA na área médica é a Link2Care, que fabrica smartwatches que combinam biometria com princípios da medicina tradicional chinesa e esteve presente na última edição da Consumer Electronics Show (CES) em Las Vegas. “Atendemos usuários que são proativos em relação a sua saúde e consideram insuficientes os rastreadores de atividades físicas padrão. Começamos na Ásia, mas estamos nos expandindo rapidamente para os mercados ocidentais, especialmente entre a comunidade tecnológica preocupada com a saúde”, disse Tony Chung, diretor de marketing da Dayton Industrial, que controla a Link2Care.

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#aprendizado de máquina#China#imunoensaios#inteligência artificial#medicina tradicional chinesa#sequenciamento genético

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