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CEO de streaming de música cria um observatório da guerra

World Monitor é um projeto paralelo lançado por Elie Habib, do Anghami, para acompanhar os conflitos no Irã e no Oriente Médio

12/03/2026

CEO de streaming de música cria um observatório da guerra
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*Foto: Telas do World Monitor

Por Ricardo Marques da Silva

À primeira vista, um serviço de streaming de música não tem nenhuma relação com os conflitos que acontecem no Irã e no Oriente Médio, desencadeados depois dos ataques dos Estados Unidos e de Israel. Porém, foi com base no que aprendeu ao desenvolver o Anghami que o engenheiro Elie Habib lançou o World Monitor, uma plataforma de código aberto gratuita, com recursos de inteligência artificial, que permite monitorar os conflitos na região em tempo real.

Ele explicou que a intenção era criar uma ferramenta capaz de dar sentido às informações geopolíticas caóticas divulgadas pela imprensa a respeito dos ataques e das retaliações. “As notícias ficaram realmente difíceis de entender. Irã, as decisões de Trump, os mercados financeiros, os minerais críticos, as tensões se acumulando em todas as direções simultaneamente. Como eu construí os sistemas de dados Anghami e OSN+, inspirei-me nesse aprendizado durante o desenvolvimento do World Monitor. A plataforma que você vê agora reflete talvez cinco ou seis dias de trabalho, além das contribuições da comunidade”, disse Habib ao site Wired.

O serviço de streaming Anghami, o primeiro no mundo árabe e muito popular na região, foi lançado no Líbano em 2012 e Habib é o diretor-executivo. Sua curiosidade, no entanto, o levou a se interessar por outros temas relacionados à tecnologia, até que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã e o Líbano, seu país de nascimento, e ele queria acompanhar todos os detalhes do conflito.

Ocorre que, na opinião dele, a mídia tradicional não estava cumprindo esse papel: “Eu não precisava de um agregador de notícias, e sim de algo que me mostrasse como esses eventos se conectam uns aos outros em tempo real. Porém, as ferramentas OSINT que fazem isso custam dezenas de milhares de dólares anualmente a governos e grandes empresas”.

O sucesso do World Monitor foi imediato, e logo o número de visitantes únicos superou os 2 milhões, em todo o mundo, com picos diários de mais de 216 mil usuários. A rápida introdução de novos recursos, como tradução de alertas sonoros, feeds de cancelamento de voos em aeroportos e rastreamento de avisos de embaixadas, mostrou novas utilidades para a plataforma, principalmente na Ásia e no Oriente Médio, mas também na Europa e nos Estados Unidos, que respondem por 18% e 10% do tráfego, respectivamente.

Habib disse ao Wired que não pensa em transformar o World Monitor em um negócio e destacou que, agora, o projeto está se voltando para um objetivo mais amplo, com a contribuição de desenvolvedores, que começaram a enviar código e ideias para a expansão da capacidade do sistema: ”A direção está mudando do mero monitoramento de conflitos para uma compreensão mais abrangente dos sinais globais e para a atuação com base nesses sinais”, afirmou.

Os bons resultados estão relacionados às características da plataforma, que, em vez de simplesmente mapear eventos depois que acontecem, consegue detectar padrões antes que se tornem notícia. O sistema processa mais de 100 fluxos de dados simultaneamente, proporcionando um mapa atualizado das zonas de conflito no mundo, com pontuações de escalada, aeronaves militares transmitindo suas posições por meio de transponders ADS-B, movimentos de navios rastreados por sinais AIS, instalações nucleares, cabos submarinos, interrupções na internet e detecção de incêndio por satélite. “Tudo é normalizado, geolocalizado e renderizado em um globo WebGL capaz de exibir milhares de marcadores sem queda de frames”, acrescentou Habib.

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#observatório da guerra#streaming de música#World Monitor

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