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Brasil liderou o avanço da indústria musical em 2024

Com aumento de 21,7% nas receitas, o país registrou o crescimento mais rápido do mundo, de acordo com relatório da IFPI lançado hoje; gravadoras alertam para os riscos da IA

19/03/2025

Brasil liderou o avanço da indústria musical em 2024
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Por Ricardo Marques da Silva

As receitas da indústria musical no Brasil aumentaram 21,7% em 2024, e com isso o país foi o que registrou o crescimento mais rápido entre os dez primeiros colocados em todo o mundo. Para efeito de comparação, os Estados Unidos, maior mercado mundial de música gravada, obtiveram um crescimento de apenas 2,2% no mesmo período, enquanto na Ásia o avanço foi menor ainda, de 1,3%.

Esse resultado foi divulgado hoje em Londres durante o lançamento da edição de 2025 do Global Music Report, um extenso levantamento que mapeia o desempenho do setor, feito pela International Federation of the Phonographic Industry (IFPI), a poderosa entidade que representa mais de 8 mil membros de gravadoras em todo o mundo. Por região, o crescimento mais rápido ocorreu no Oriente Médio e no Norte da África, com avanço de 22,8%, seguindo-se a África Subsaariana, com 22,6%, e logo depois a América Latina, com 22,5%. Na Europa, que responde por 29,5% das receitas globais, o crescimento foi de 8,3%, com destaque em volume para a França (7,5%), o Reino Unido (4,9%) e a Alemanha (4,1%).

Em relação ao desempenho geral da indústria fonográfica mundial, o relatório mostrou que em 2024 a receita comercial total cresceu 4,8% em relação ao ano anterior e atingiu US$ 29,6 bilhões, impulsionada pelo salto de 9,5% nos resultados da compra de música em plataformas de streaming. A receita de streaming ultrapassou US$ 20 bilhões pela primeira vez (US$ 20,4 bilhões) e representou 69% do total da receita de música gravada – para contextualizar, US$ 20 bilhões são mais do que toda a receita da indústria de música gravada em cada ano entre 2003 e 2020.

Para o lançamento do relatório foi promovida uma entrevista coletiva da qual participaram Victoria Oakley, CEO da IFPI; Dennis Kooker, presidente de negócios digitais da Sony Music; Stacey Tang, copresidente da RCA no Reino Unido; Tega Oghenejobo, presidente da Mavin Global, e Cassandra Strauss, diretora de novos negócios digitais e inovação do Universal Music Group.

O destaque no evento foi o papel da inteligência artificial na produção musical. Victoria Oakley disse que a IA tem hoje um papel importante no setor e as gravadoras abraçaram o potencial dessa tecnologia para aprimorar a criatividade dos artistas e desenvolver novas e emocionantes experiências para os fãs. No entanto, a CEO da IFPI alertou que é muito claro que os desenvolvedores de sistemas de IA generativa utilizam músicas protegidas por direitos autorais para treinar seus modelos sem autorização dos criadores e, assim, “representam uma ameaça real e presente à arte humana”.

“Estamos pedindo aos formuladores de políticas que protejam a música e a arte. Devemos aproveitar o potencial da IA para apoiar e ampliar a criatividade humana, não para substituí-la”, disse Victoria. Ela explicou que, na melhor das hipóteses, a IA generativa pode ser uma ferramenta realmente poderosa para artistas e consumidores e lembrou que já houve acordos relevantes no setor, mas também pode contribuir para o aumento da pirataria musical. “Continuamos a nos envolver com formuladores de políticas ao redor do mundo para definir claramente que as regras de direitos autorais precisam ser aplicadas igualmente no universo da IA generativa de uma forma que seja transparente e prática para todos os envolvidos”, acrescentou.

De acordo com o relatório, cuja versão premium pode ser obtida aqui, os formatos físicos de música tiveram um ano desafiador, com as receitas caindo 3,1%, na comparação com o forte desempenho em 2023, quando dispararam 14,5%. “As receitas de vinil continuaram a crescer em 2024, com avanço de 4,6%, enquanto a receita de direitos de execução atingiu US$ 2,9 bilhões e aumentou 5,9%, no quarto ano consecutivo de crescimento. No período, o número de usuários de contas por assinatura cresceu 10,6% globalmente, para 752 milhões”, disse a IFPI.

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#direitos autorais#indústria fonográfica mundial#indústria musical#pirataria musical

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