Excesso de uso de IA como tema afasta o público dos cinemas
Depois do sucesso dos primeiros filmes, parece que o público já se cansou dos roteiros em que a tecnologia cria cenários distópicos
10/02/202607/10/2025

Por Ricardo Marques da Silva
“A próxima Scarlett Johansson”, com “vibe de garota da porta ao lado”: assim está sendo descrita a aspirante a atriz Tilly Norwood, o que não teria nada de excepcional, se não fosse por um detalhe: ela é uma IA criada pelo estúdio holandês Particle6 e treinada com base no trabalho de artistas de verdade. Rapidamente, o sindicato de atores de Hollywood reagiu e condenou a ideia, que realmente dá o que pensar, na medida em que Tilly e IAs semelhantes podem ser a ponta de um iceberg capaz de afundar grandes navios.
A personagem virtual foi criada pela atriz e comediante holandesa Eline Van der Velden, que parece ter grandes ambições. “Queremos que Tilly seja a próxima Scarlett Johansson ou Natalie Portman. Esse é o objetivo do que estamos fazendo”, afirmou, acrescentando que questões econômicas e altos custos de produção estão levando o cinema e a TV para a IA.
Numa publicação no LinkedIn, Van der Velden foi mais longe: “Público? Eles se importam com a história, não se a estrela é humana. Tilly já está atraindo o interesse de agências de talentos e fãs. A era dos atores sintéticos não está chegando – já chegou”. E completou: “Criar Tilly foi, para mim, um ato de imaginação e habilidade, não muito diferente de desenhar um personagem, escrever um papel ou moldar uma performance. Tais criações devem ser julgadas como parte de seu próprio gênero, e não comparadas a atores humanos”.
Mas a reação não foi positiva entre artistas “de verdade”. Emily Blunt, por exemplo, que já foi indicada ao Oscar, afirmou que Tilly é realmente assustadora: “Isso é uma IA? Meu Deus, estamos ferrados. Vamos lá, agências, não façam isso. Por favor, parem. Por favor, parem de destruir nossa conexão humana”, disse.
Essa é a mesma posição de atrizes como Whoopi Goldberg e Natasha Lyonne, esta última conhecida pelos papéis em Poker Face, Orange Is the New Black e Boneca Russa, que disparou: ”Qualquer agência de talentos que se envolva nisso deve ser boicotada”. Por sua vez, o Screen Actors Guild-American Federation of Television and Radio Artists, o sindicato dos atores de Hollywood, divulgou um comunicado com esta afirmação: “Não há experiência de vida para se inspirar, nenhuma emoção e, pelo que vimos, o público não está interessado em assistir a conteúdo gerado por computador, desvinculado da experiência humana”.
Enquanto isso, Tilly Norwood continua a agir como se fosse real e tivesse vida própria. Seu perfil no Instagram, hoje com 58 mil seguidores, mostra várias fotos dela em diferentes situações, como em um passeio por uma rua e vestida como super-heroína, além de posts como este: “Posso ser uma IA, mas estou sentindo emoções muito reais agora. E estou muito animada com o que vem por aí!”. Será um prenúncio do que se pode esperar no futuro próximo?
#atores sintéticos#atriz criada por IA#Hollywood#Tilly Norwood

Depois do sucesso dos primeiros filmes, parece que o público já se cansou dos roteiros em que a tecnologia cria cenários distópicos
10/02/2026
Recurso Me Meme usa IA generativa do Gemini e está disponível inicialmente nos Estados Unidos ainda em caráter experimental
27/01/2026
Estudo revela que conteúdo de baixa qualidade está saturando as redes sociais e gera uma receita de US$ 117 milhões por ano
20/01/2026