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Por redação AIoT Brasil

A imagem é intrigante: um carro de Fórmula E numa avenida beira-mar, totalmente deserta. O passeio aconteceu em 22 de fevereiro, quatro dias antes da prova de Daria, ou Diriyah, uma cidade da Arábia Saudita que faz parte do calendário da categoria desde 2018. O carro é um Mercedes-EQ Silver Arrow 02 elétrico, pilotado pelo belga Stoffel Vandoorne, e a pista é a espetacular Magna Road, ao lado do Mar Vermelho, parte do complexo Neom de cidades inteligentes, um dos projetos urbanísticos mais ousados e tecnológicos do mundo.

Mercedes-EQ Silver Arrow de Fórmula E circula no complexo Neom de cidades inteligentes/Divulgação Neom-Mercedes

A foto faz parte do esforço de divulgação do Neom, alimentado pelo poder dos petrodólares da monarquia saudita e baseado em tecnologia de ponta. É um projeto ambicioso, utópico – e perturbador. Projetado para abrigar 1 milhão de pessoas, o complexo anunciou em janeiro o lançamento da unidade The Line, a ser construída na província de Tabuk, com 170 km de extensão, em linha reta, sem emissão de carbono, onde tudo estará a no máximo 5 minutos de casa.

Nas peças de propaganda, The Line é descrita como “uma visão do que pode ser o futuro, uma tentativa de fazer algo que nunca foi feito antes, no momento em que o mundo precisa de novas ideias e novas soluções”. Todas as instalações de água, luz, gás e transporte público serão subterrâneas e controladas por inteligência artificial, assim tudo o mais na “primeira cidade cognitiva do mundo”. The Line também pretende ser a espinha dorsal e a principal vitrine do Neom, como destino global e centro de logística para o Oriente Médio e importante polo de aviação de negócios e turismo.

Porém, um artigo publicado no jornal The New York Times vai por outro caminho e descreve o projeto como “uma distopia urbana pós-moderna”, uma fantasia do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman de construir um futuro de alta tecnologia, pela qual está disposto a gastar 500 bilhões de dólares. O jornal norte-americano analisa um vídeo lançado pelo príncipe em janeiro e afirma que se trata de “uma forma distintamente saudita de arrogância, combinando triunfalismo religioso e grandiosidade”.

O artigo lembra que o príncipe que apresentou “esse admirável mundo novo” é acusado de ordenar o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi, em outubro de 2018, por ter escrito artigos com críticas à monarquia saudita. No parágrafo final, o artigo pergunta quem gostaria de viver em uma cidade remota no deserto e ficar sujeito à vigilância 24 por dia, sete dias por semana, “submetido aos caprichos de um príncipe assassino”.

Dessa maneira, The Line e todo o projeto Neom já provocam polêmica por todo o mundo, tanto a respeito da necessidade de criação de oásis tecnológicos a partir do zero quanto de tornar mais inteligentes e sustentáveis as cidades que já existem, com suas populações à espera de soluções viáveis para os problemas urbanos. A maior preocupação do príncipe saudita será, a partir de agora, convencer a comunidade financeira global de que sua ideia é mais do que um sonho e merece ser levada a sério.

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