AIoT Brasil BRASIL INTELIGÊNCIA ARTIFICIALE INTERNET DAS COISAS BRASIL

Fechar
A A

Tamanho fonte

*Por Márcio Arbex

Muitas vezes comparada ao advento da eletricidade que transformou a indústria no século XIX, a IA (inteligência artificial) já encampou um evidente papel de destaque na economia atual. Agora, a IA desembarca de vez na indústria de drones, geotecnologias e satélites, por meio de tecnologias de integração e análise de grandes volumes de dados e da capacidade de IoT (internet das coisas), oferecendo novas informações para tomadas de decisão que impactam tanto a sociedade como empresas.

Um exemplo é no combate a incêndios. Drones com sensores embarcados coletam informações ambientais em tempo real e geram cenários preditivos com base em dados de geolocalização e instrumentos meteorológicos. Há diversos casos bem-sucedidos mundo afora. Em Queensland, na Austrália, onde a população de coalas diminuiu 80% nos últimos 25 anos, drones com câmeras térmicas e IA ajudam pesquisadores e ecologistas a localizarem coalas no topo de eucaliptos, onde são muito difíceis de serem vistos, para que consigam controlar e preservar a vida selvagem naquele local.

Tecnologias de big data (megadados), machine learning (aprendizado de máquina), data science (ciência de dados), geoanalytics (geoanalítica) e edge computing (computação de ponta) potencializam o ecossistema IoT, atuando como coprocessadores e coletando os dados em tempo real em parceria com drones e sensores. As ações são automatizadas com análises avançadas e modelos preditivos em dados ativos, por meio de aplicativos de streaming (informações transmitidas em tempo real) que permitem que os sistemas pontuem dados, enviem alertas e tomem medidas rápidas, oportunas e contextuais.

Principais sensores embarcados em drones
× Sensores de imagem (infravermelho, térmico, multiespectral, 3D)
× Sensores de mapeamento e localização
× Sensores de pressão
× Sensores altímetros
× Unidades de medição inercial

Na indústria, um caso de sucesso interessante vem da Bayer Crop Science, que cultiva data analytics (análise de dados) em colheitas, sementes e na agricultura digital, ajudando a visualizar com precisão como estão as fazendas, sob o ponto de vista de solo, irrigação e fertilização. Como os campos não são uniformes, as plantas precisam de diferentes condições dependendo de onde elas estão – algumas não precisam de fertilizantes e outras de mais ou menos água, por exemplo. Para monitorar tudo com precisão, a empresa usa drones para tirar fotos em alta definição e softwares baseados em algoritmos geram dados sobre um enorme volume de imagens pesadas. As descobertas que o software faz subsidiam a tomada de decisão com relação a práticas e manejos agrícola. Essa inovação impacta 14 mil usuários da Bayer globalmente.

Dentro deste cenário, os drones estão em um estágio em que cada vez mais organizações de setores distintos apostam em sua viabilidade e eficiência. O setor de construção foi um dos primeiros a adotar os drones, em tarefas como gerenciamento de terraplenagem e monitoramento de edificações, enquanto o setor de seguros vem utilizando os drones ​​para realizar inspeções em estruturas para avaliar a extensão e a causa dos danos, além de avaliar o tipo e a condição do edifício ao fornecer uma cotação de seguro. As instituições governamentais também vêm ampliando o uso de drones para aumentar a eficiência da polícia e em operações de busca e resgate. Isso significa que, nos próximos anos, podemos esperar que centenas e até milhares de empresas no Brasil sigam o mesmo caminho e usem drones para muitos fins. Espera-se que este mercado absorva um volume expressivo de investimentos daqui para frente.

A indústria de sistemas aéreos não tripulados, que era estimada em 19,3 bilhões de dólares em 2019, deve chegar a 45,8 bilhões de dólares em 2025, de acordo com o Drone Industry Insights. Somente nos Estados Unidos, há mais de 1,5 milhão de drones registrados, com 442 mil comerciais e 1,1 milhão de drones recreativos, segundo a Federal Aviation Administration, entidade responsável pela aviação civil americana.

Ao mesmo tempo, o uso de drones combinados com IoT deve ser alavancado ainda mais a partir da chegada do 5G, devido à alta capacidade de disponibilidade, estimulando o crescimento da transferência de dados e a conectividade em tempo real. O 5G otimizará as redes IoT por meio do gerenciamento de radiofrequência que atende às necessidades tanto de aplicações IoT de banda estreita quanto das que requerem banda larga, que podem ser sob demanda.

Diante de um cenário promissor, o momento é propício para parcerias entre todos os elos da cadeia, principalmente entre fornecedores de sensores, instrumentos e outros dispositivos interconectados em rede junto com fabricantes de softwares voltados a aplicações industriais. A tecnologia de drones combinada com todas estas inovações sobe de patamar, disponibilizando serviços e produtos com novos níveis em automação e soluções em análise de dados que trarão impacto transformador em diversos mercados.

* Márcio Arbex é diretor de engenharia de soluções da Tibco

Mais populares

02/06/2022

Inteligência artificial detecta fake news na internet

Leia mais
13/01/2021

Testamos os recursos tecnológicos do VW Nivus

Leia mais
20/01/2022

Os principais ataques cibernéticos no Brasil em 2021

Leia mais
23/06/2022

FEA/USP promove conferência de ciência e negócios

Leia mais
27/08/2021

Automação doméstica deve crescer 30% no Brasil

Leia mais
break

Notícias Relacionadas