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Por redação AIoT Brasil

Dia 8 de março é o dia Internacional da Mulher. E a data serve para lembrar que, apesar do crescimento da participação feminina na área de TI, não é fácil ser mulher em ambientes profissionais em que os homens são maioria. E a área de tecnologia não é exceção, apesar de seu caráter inovador, que poderia pressupor uma dose maior de igualdade e aceitação. Essa realidade ficou clara em pesquisa realizada pela consultoria de recrutamento Yoctoo, especializada nesse segmento, segundo a qual 81% das mulheres já sofreram preconceito de gênero na escola ou no ambiente de trabalho. Para 82% das entrevistadas, o maior desafio é ter de provar sua própria competência técnica o tempo todo.

Mais da metade das profissionais também reclama da dificuldade em serem respeitadas por colegas, chefes e subordinados e 43% disseram ter sofrido preconceito na universidade, em cursos majoritariamente masculinos. O que é ainda pior, 63% das mulheres ouvidas no estudo afirmaram que é nas empresas que o preconceito mais acontece. “Essa é a triste realidade enfrentada por muitas mulheres que decidem abraçar a carreira de tecnologia no Brasil. Precisamos trabalhar para mudar isso. Afinal, existe uma grande demanda reprimida por profissionais dessa área”, observa Paulo Exel, diretor da Yoctoo.

Patricia Rechtman, cofundadora da startup financeira Finplace, concorda com essa avaliação e diz que a solução, antes de mais nada, requer o fim do machismo: “É preciso esquecer o padrão imposto desde a infância de que meninos são melhores em exatas e meninas em humanas, meninos vestem azul e meninas, rosa. Esse tipo de postura simplesmente não cabe mais em setor nenhum, não apenas no nosso. Mas é preciso, acima de tudo, promover debates e políticas corporativas de inclusão para atrair um número maior de mulheres em cargos de liderança. É fundamental compor times diversos e equilibrados para que as empresas estejam preparadas para as grandes mudanças que certamente virão”, afirma.

Patricia Rechtman,  da Finplace: “É preciso promover debates e políticas corporativas de inclusão para ter um número maior de mulheres em cargos de liderança”

Segundo Patricia, o mercado financeiro ainda é prioritariamente masculino, mas muitas empresas já tentam mudar este cenário: “Essa é uma transformação que acontece não apenas em razão de demandas que começaram a surgir na sociedade, mas também por uma estratégia de negócios. Dados da B3, a Bolsa de Valores oficial do Brasil, indicam que, em 2020, o número de investidoras pessoas físicas cresceu 118%, passando de 847 mil, o que representa cerca de 26% do total. O que vemos no horizonte é uma presença cada vez mais forte de mulheres no mercado financeiro. Quem não entender essa movimentação e não abrir espaço para isso com certeza vai ficar para trás”, prevê.

Executiva de sucesso, Patricia viu a startup na qual trabalha (que oferece produtos como um marketplace financeiro que utiliza inteligência artificial e um banco digital) crescer 1.319% em um ano. A Finplace já conta com 300 financiadores e mais de 1.730 clientes, isso com pouco mais de um ano no mercado. A empresa também investe em um ambiente empresarial mais inclusivo, com a criação de um programa de diversidade.

Outro levantamento, feito pela escola de habilidades digitais Digital House, confirma que a tendência de expansão apontada por Patricia Rechtman ocorre também no setor de TI. A pesquisa mostra que em 2018 as mulheres respondiam por apenas 18% das matrículas nos cursos de capacitação em carreiras digitais, participação que cresceu para 26% em 2020 e para 36% no início deste ano – o que representa um crescimento de 100% em três anos.

Para a desenvolvedora Paula Guedes, que começou a trabalhar na área de TI há cerca de seis meses, esse aumento se deve também a um movimento que tem partido das empresas no sentido de promover mais equilíbrio entre homens e mulheres: “Muitas empresas estão buscando mulheres nessa área. Eu, por exemplo, fiquei sabendo da vaga em que estou hoje quando o CEO fez um post no LinkedIn chamando mulheres desenvolvedoras para se inscreverem para as vagas. Eu havia terminado meu curso de programação em julho e, em setembro, fui aprovada no processo seletivo”, conta.

Natália Lira, professora do curso de Desenvolvimento Web Full Stack da Digital House, lembra que o crescimento da procura por profissionais com habilidades digitais incentiva mais mulheres a seguir carreira na área: “O mercado de TI está em expansão, e uma grande dificuldade é preencher as vagas ofertadas. As empresas precisam de profissionais capacitados. Acredito que a participação feminina acaba incentivando outras mulheres a tentarem também, a perceber que há espaço para elas e que elas podem construir uma carreira incrível”, diz.

Essa situação mais equilibrada acontece, por exemplo,  no Grupo Stefanini, multinacional brasileira que atua há 33 anos no mercado de tecnologia. No Brasil, 41% das contratações realizadas pela empresa em 2020 foram de mulheres, que já ocupam 40% dos cargos de gestão em geral e 50% na primeira camada de gestão. As diretorias financeiras na América Latina, Estados Unidos e Europa são ocupadas por mulheres e nas diretorias comerciais no Brasil 57% são mulheres. Outro exemplo: Mary Alejandra Ballesta Estrada assumiu há pouco mais de um ano o cargo de diretora global de inovação e negócios digitais do grupo.

Segundo Carla Alessandra de Figueiredo, gerente executiva de RH da Stefanini Brasil, a empresa tem investido em iniciativas para preparar mais mulheres para novas funções de liderança. “Sabemos que é preciso ampliar a discussão e criar mecanismos reais para que a diversidade permeie as corporações, em um movimento natural contínuo”, afirma.

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