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Por redação AIoT Brasil

Pesquisadores do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CeMEAI), do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP em São Carlos, desenvolveram uma plataforma de inteligência artificial que identifica, automaticamente, informações falsas divulgadas na internet. A inovação foi apresentada a peritos criminais durante o 26º Congresso Nacional de Criminalística, realizado pelo Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo realizado recentemente em Campinas (SP).

De acordo com o coordenador do projeto, professor Francisco Louzada, do CeMEAI, o sistema usa algoritmos de IA para detectar padrões em informações mentirosas. “Identificamos palavras, expressões e estruturas comuns em notícias falsas. O texto mentiroso costuma apelar para a emoção do leitor, é opinativo e carrega um tom de urgência. Esses padrões, juntamente com algumas palavras que costumam sempre aparecer em textos enganosos, são os sinais que o computador localiza e classifica”, explicou.

Ainda em fase experimental, a tecnologia tem potencial para uso no período anterior às eleições de 2 de outubro, quando se espera uma autêntica guerra de fake news nas redes sociais brasileiras. Louzada disse que foram dedicados sete meses de trabalho para “ensinar” o computador a interpretar textos, e até o fim de junho a plataforma deverá estar pronta para ser utilizada integralmente. “Há a expectativa de que as eleições deste ano sejam marcadas por muitas mentiras na internet. Essa ferramenta pode ajudar o eleitor a separar as verdades das mentiras antes de tomar sua decisão”, lembra o professor.

Para treinar a inteligência artificial, os pesquisadores alimentaram o banco de dados com mais de 7 mil notícias já verificadas e classificadas entre verdadeiras e falsas. Depois foram selecionadas outras 99 mil notícias para verificação, como uma espécie de “treino” para a máquina. Louzada disse que o sistema consegue entender a informação ainda que o texto apareça reescrito ou editado em sites diferentes: “Mesmo os sites campeões de fake news publicam cerca de 60% de conteúdo verdadeiro, como forma de confundir o leitor. O algoritmo analisa o texto completo e identifica as informações principais. Isso permite encontrar mentiras em qualquer notícia, mesmo quando essa fraude aparece em um pequeno trecho”.

Previsivelmente, o sistema passou a ser alvo de ataques de hackers, que tentaram sobrecarregar o servidor com milhares de consultas simultâneas, feitas por robôs. Houve lentidão, mas os invasores não conseguiram deixar o sistema fora do ar. “A plataforma foi hospedada em um servidor mais robusto e seguro para enfrentar o período eleitoral, quando deverá ter grande demanda”, lembrou o professor Louzada.

Francisco Louzada é o coordenador do projeto/Divulgação CeMEAI

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