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Por Daniel dos Santos, Editor do AIoT Brasil 

O nome NVIDIA foi durante muito tempo sinônimo de placa aceleradora gráfica para jogos.  Mas esse cenário mudou e hoje a empresa vai muito além disso, desenvolvendo soluções para áreas como gráficos profissionais, HPC e inteligência artificial, e está presente em 18 mercados diferentes, como varejo, saúde, óleo e gás, entre outros. Em entrevista ao AIoT Brasil, Marcio Aguiar, diretor da NVIDIA Enterprise para América Latina, conta como a empresa cresceu seu leque de atuação e fala sobre temas como robótica, pandemia, mercado brasileiro e investimento em startups.

AIoT Brasil:    Para quem acompanha a área da tecnologia há muitos anos, o nome NVIDIA está mais associado às placas aceleradoras gráficas que equipavam os computadores para gamers. Quando a empresa resolveu apostar alto na inteligência artificial e qual foi o motivo que levou a empresa a apostar nesse setor? 

Marcio Aguiar: A NVIDIA nasceu com o core de gaming por conta da revolução dos gráficos, mas logo percebeu o potencial de atingir diferentes mercados. A partir das GPUs, que revolucionaram a computação paralela, e com a criação da linguagem CUDA, foi possível evoluir as plataformas computacionais e também as próprias GPUs. CUDA permitiu que pesquisadores utilizassem as tecnologias das GPUs NVIDIA para tornar pesquisas de alto processamento computacional mais rápidas e assertivas. A NVIDIA segue há anos desenvolvendo novas soluções para gráficos profissionais, HPC, Inteligência Artificial, e seguimos aumentando as possibilidades em diversos mercados. Atualmente, NVIDIA está presente 18 mercados diferentes, como varejo, saúde, óleo e gás, entre outros.

Nosso CEO e fundador, Jensen Huang, é uma pessoa que tem sempre o olhar no futuro. Ele consegue perceber tendências, antes delas se tornarem tendências. Foi assim que começamos o trabalho com Inteligência Artificial e hoje iniciamos o conceito do metaverso, um mundo 3D virtual compartilhado, ou mundos que são interativos, imersivos e colaborativos.

Focando na questão da Inteligência Artificial, muitas pessoas ainda acreditam que é “algo do futuro”. A realidade é que a tecnologia já se faz presente no dia a dia da população global, seja por um sistema de recomendação de compras personalizado de acordo com os hábitos do consumidor ou no alerta inteligente de manobras em certos automóveis. Um dos focos nessa área é a IA de conversação. A NVIDIA começou esse trabalho há três anos e já apresentamos resultados significativos. Por exemplo, apresentamos recentemente uma IA que consegue falar de forma natural e similar a um ser humano, tirando o tom robótico por meio da plataforma NeMo da NVIDIA.

AIoT Brasil:    A aposta parece ter sido acertada, tanto que a empresa obteve uma receita recorde no primeiro trimestre do ano fiscal de 2022, de US$ 5,66 bilhões. Quanto desse número se deve a produtos voltados para IA? 

MA: Nós não podemos divulgar dados específicos, além daqueles que já foram compartilhados nos balanços trimestrais da empresa. Mas posso falar que a Divisão Enterprise da NVIDIA, focada no mercado corporativo, vem ultrapassando a divisão de games principalmente por conta da demanda alta por GPUs nos Data Centers muito em função da demanda por IA. No último balanço divulgado, do segundo trimestre do ano fiscal 22, o setor de data center alcançou um recorde de US$ 2,37 bilhões. Isso representa um aumento de 16% a mais que no último trimestre e 35% a mais que no mesmo período do ano passado.

AIoT Brasil:  Quais linhas de produtos a empresa oferece com foco na inteligência artificial? 

MA: Com a arquitetura NVIDIA Ampere, desenvolvemos a nova geração de GPUs, projetada para levar inteligência artificial para todos os setores. A IA não é definida apenas por um setor. Ela existe em campos de supercomputação, serviços de saúde, serviços financeiros, análise de big data e games.  Qualquer um que usa um smartphone está presenciando um exemplo de IA. O ato de falar com o sistema inteligente do aparelho, de pesquisar por meio de um assistente pessoal já é um ato de inteligência artificial. Ela já está presente em todos os setores e mercados.

Todas as empresas que desejam trabalhar com IA acabam usando tecnologias da NVIDIA Enterprise.  Nesse sentido, o principal destaque vai para o NVIDIA AI Enterprise, uma suíte de ponta a ponta e nativa na cloud, de softwares de IA e análise de dados. O conjunto pode executar IA no VMware vSphere. Além de acompanhar as principais facilitadoras da NVIDIA para implementação, gestão e dimensionamento de cargas de trabalho de IA no cloud híbrido moderno.

Para os cientistas de dados, temos o CUDA otimizado para Ampere e as bibliotecas de SDK de deep learning da NVIDIA, como cuDNN, NCCL e TensorRT, permitindo aos pesquisadores fazer descobertas mais rápido do que antes.

Além disso, temos o NVIDIA Fleet Command, serviço de cloud que implanta, gerencia e dimensiona as aplicações de IA em toda a infraestrutura distribuída na borda. Para exemplificar, ele é uma solução destinada ao gerenciamento do ciclo de vida da inteligência artificial e oferece implantações simplificadas, além de segurança em camadas e recursos de monitoramento detalhados. Com a tecnologia, que segue os principais protocolos de segurança, é possível implantar e escalonar aplicações em vários locais, acelerando o tempo para insights da IA.

AIoT Brasil: Quais setores do mercado são os maiores consumidores dos produtos da NVIDIA para inteligência artificial? 

MA: Em IA, a divisão Enterprise da NVIDIA tem soluções disponíveis para diversas indústrias, como a de saúde, a de telecomunicações, a de energia (óleo e gás), cidades inteligentes, manufatura, mídia e entretenimento etc.

Por conta da pandemia de Covid-19, a nossa plataforma de saúde, o NVIDIA Clara, evoluiu muito. Já trabalhávamos nessa plataforma antes, mas a necessidade recente fez com que hospitais e clínicas olhassem com mais atenção às possibilidades da tecnologia. Ainda é um grande campo a ser explorado.

Outra área que tem crescido e ajudado muitas empresas é a robótica. São robôs inteligentes, treinados para auxiliar na otimização de tempo e processos das empresas e fábricas.

AIoT Brasil: Qual a importância do mercado brasileiro para a estratégia da NVIDIA na área de IA? 

MA:A Inteligência Artificial é um dos principais mercados da divisão Enterprise da NVIDIA no mundo. Nós já vivemos na era da IA e a tecnologia é uma das prioridades de empresas ao redor do mundo, não apenas do mercado brasileiro. A automação inteligente auxilia empresas a liberar horas dos colaboradores, que poderão se dedicar a atividades estratégicas. Além de gerar insights sobre a instituição, os processos e até mesmo para melhorar e experiência dos clientes.

AIoT Brasil: A empresa acaba de lançar um programa gratuito de aceleração de startups no Brasil. Quantas startups vocês pretendem atrair com esse programa e que tipo de startups vocês procuram? E qual é o investimento com essa iniciativa no Brasil?  

MA: Buscamos sempre estar próximos das startups locais, que trabalham com IA, ciência de dados e HPC.  Nosso CEO gosta de dizer que a NVIDIA em si é uma ‘grande startup’. Por isso, trabalhamos de forma diferenciada. O NVIDIA Inception é um programa gratuito e, diferente dos tradicionais programas de aceleração, a startup recebe apoio durante todo o ciclo de vida dela. Não há prazos de inscrição e nem limites de duração.

Como somos uma empresa listada na Nasdaq, não temos autorização para abrir alguns dados regionais. Mas posso te adiantar que o número de startups brasileiras tem crescido e esperamos que continue nessa tendência, porque queremos que o Brasil se torne também um país exportador de tecnologias e inovações.

AIoT Brasil: Mundialmente quantas startups vocês contam em sua rede?

MA: Atualmente, a rede global conta com mais de 8,5 mil startups, incluindo a participação de centenas de startups da América Latina. Isso representa cerca de dois terços do número total de startups de IA em todo o mundo, conforme estimado pelo PItchbook.

AIoT Brasil: Como você avalia o ecossistema de startups no Brasil em matéria de capacidade de inovação? 

MA: Nos últimos anos, a divisão Enterprise da NVIDIA vem trabalhando em estreitar o relacionamento com grandes instituições de ensino do Brasil. Acreditamos que a educação é o melhor caminho para incentivar o conhecimento e a prática de novas tecnologias, envolvendo também o processamento via GPU (local ou por nuvem), IA. Essa também é uma forma de encontrar e colaborar com grandes talentos nacionais.

No âmbito de startups, o NVIDIA Inception vem exatamente para impulsionar inovações nacionais. Os dois principais setores no ecossistema atualmente são: saúde e serviços de TI. O segmento dominante dentre os serviços de TI é a visão computacional com 27%, sendo análise preditiva em segundo lugar (9%). Os dois principais segmentos em saúde são: análises médicas, com 38%, e imagens médicas, com 36%, embora o crescimento mais rápido seja entre as startups de IA nas indústrias farmacêutica e de biologia de IA, com 15%.

Outra área de destaque é mídia e entretenimento, que corresponde a 9% de todas as startups no programa. O Brasil é um país com muitos profissionais incríveis e tem muito potencial para se tornar um polo de tecnologia, assim como outros grandes países no mundo.

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