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Por redação AIoT Brasil

Em um procedimento inédito no mundo, cientistas do hospital universitário da University College London (UCL) e da empresa Odin Vision estão utilizando inteligência artificial (IA) para detectar os primeiros sinais de câncer no esôfago. O sistema, denominado CADU, se baseia no conceito de aprendizado de máquina e é abastecido com centenas de milhares de imagens de tecidos atingidos pela doença, para conseguir identificar em tempo real mudanças sutis na cor e no padrão que sugerem a presença de tumores.

O exame foi conduzido pela primeira vez pelo gastroenterologista Rehan Haidry, que participou da equipe de pesquisadores do hospital da UCL, em colaboração com a Odin Vision, que é vinculada à universidade britânica. O CADU foi aprovado no início deste ano pelas agências regulatórias do Reino Unido e da União Europeia para uso em pacientes e pode se tornar um apoio decisivo no diagnóstico de um tipo grave de câncer, cujos sinais iniciais são difíceis de detectar. A taxa de sobrevivência de cinco anos é inferior a 20%, e estudos mostraram que até 25% dos cânceres de esôfago nos primeiros estágios não são percebidos durante a endoscopia convencional.

Se diagnosticada precocemente, a doença pode ser erradicada em 90% dos casos, com um procedimento menos invasivo. “O câncer esofágico continua sendo um grande desafio para nós e carrega uma mortalidade muito alta em comparação com outros cânceres de órgãos sólidos”, disse Haidry. “É imperativo que possamos detectar precocemente as mudanças, quando realizamos exames endoscópicos de rotina, porque agora estamos em uma era em que podemos fornecer um tratamento precoce capaz de melhorar a perspectiva dos pacientes”, acrescentou o médico, em entrevista ao site da UCL.

Peter Mountney, CEO da Odin Vision e professor associado da UCL Computer Science, destacou: “A inteligência artificial tem um grande potencial para transformar a saúde. Estamos muito entusiasmados por alcançar esse procedimento histórico e usar nossa tecnologia de IA para apoiar os médicos na luta contra uma das formas mais agressivas de câncer.” Danail Stoyanov, fundador da Odin Vision e diretor do Center for Interventional and Surgical Sciences da UCL, completou: “É fantástico ver a pesquisa pioneira da UCL e da Odin se traduzir em um produto clínico que pode começar a apoiar os médicos e ajudar os pacientes, por meio da inteligência artificial.”

Médicos estudam imagens nos monitores para identificar tecido doente/Divulgação UCL

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